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22 de Maio de 2019
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    Adoção por Casal Homoafetivo

    Geovani Santos, Advogado
    Publicado por Geovani Santos
    há 5 meses


    ADOÇÃO DE CRIANÇA POR PESSOA HOMOAFETIVA.

    É possível a inscrição de pessoa homoafetiva no registro de pessoas interessadas na adoção (art. 50 do ECA), independentemente da idade da criança a ser adotada.

    A legislação não veda a adoção de crianças por solteiros ou casais homoafetivos, tampouco impõe, nessas hipóteses, qualquer restrição etária.

    Ademais, sendo a união entre pessoas do mesmo sexo reconhecida como uma unidade familiar, digna de proteção do Estado, não se vislumbra, no contexto do "pluralismo familiar" (REsp 1.183.378-RS, DJe 1º/2/2012), pautado nos princípios da igualdade e da dignidade da pessoa humana, a possibilidade de haver qualquer distinção de direitos ou exigências legais entre as parcelas homoafetiva (ou demais minorias) e heteroafetiva da população brasileira.

    Além disso, mesmo se se analisar sob o enfoque do menor, não há, em princípio, restrição de qualquer tipo à adoção de crianças por pessoas homoafetivas. Isso porque, segundo a legislação vigente, caberá ao prudente arbítrio do magistrado, sempre sob a ótica do melhor interesse do menor, observar todas as circunstâncias presentes no caso concreto e as perícias e laudos produzidos no decorrer do processo de adoção.

    Nesse contexto, o bom desempenho e bem-estar da criança estão ligados ao aspecto afetivo e ao vínculo existente na unidade familiar, e não à opção sexual do adotante. Há, inclusive, julgado da Terceira Turma do STJ no qual se acolheu entendimento doutrinário no sentido de que "Estudos feitos no âmbito da Psicologia afirmam que pesquisas '[...] têm demonstrado que os filhos de pais ou mães homossexuais não apresentam comprometimento e problemas em seu desenvolvimento psicossocial quando comparados com filhos de pais e mães heterossexuais.

    O ambiente familiar sustentado pelas famílias homo e heterossexuais para o bom desenvolvimento psicossocial das crianças parece ser o mesmo'" (REsp 1.281.093-SP, DJe 4/2/2013).

    No mesmo sentido, em precedente da Quarta Turma do STJ (REsp 889.852, DJe 10/8/2010), afirmou-se que "os diversos e respeitados estudos especializados sobre o tema, fundados em fortes bases científicas (realizados na Universidade de Virgínia, na Universidade de Valência, na Academia Americana de Pediatria), 'não indicam qualquer inconveniente em que crianças sejam adotadas por casais homossexuais, mais importando a qualidade do vínculo e do afeto que permeia o meio familiar em que serão inseridas e que as liga a seus cuidadores'".

    REsp 1.540.814-PR, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 18/8/2015, DJe 25/8/2015.

    2 Comentários

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    Este é um tema, que "era" quase que proibido até de se citar, hoje não, mas que ainda penso ser complexo . Conheço um casal (mulheres) que adotaram uma criança negra, sendo elas brancas. Sei que hoje essa criança, agora adulta, já é casada e está muito bem de vida e reside nos Estados Unidos. Deu certo. Uma coisa é certa: Como voluntário, em Jundiaí,sp, ajudei muito minha esposa, que trabalhava também como voluntária, com menores abandonados, com um Juiz de Menores, hoje um Desembargador no Tribunal na Capital do Estado. Haviam mais crianças a ser adotadas que interessados em adoção, sendo rejeitadas as com maiores idades e negras. Por que muitos estrangeiros levaram muitas dessas com eles para seus países? Simples; porque eles não tinham preconceitos algum. Não sou contra e nem a favor, mas tudo que for feito pra minimizar os problemas a favor de menores abandonados, é válido. continuar lendo

    Aquela concepção da figura masculina e da feminina, como balizadores da construção do caráter e da personalidade da criança, simbolizada no conceito chinês milenar do Yang e do Yin, mais os estudos desde Freud até agora, era tudo conversa fiada? Mentira comercial para vender mais bonecas, ou mais soldadinhos de chumbo, no século passado?

    Todos os milhares de casos estudados em trabalhos científicos/acadêmicos, de desvios sociais e psicossociais, entre outros, dos filhos de casais separados, que em tenra idade viram-se privados de um dos polos da estrutura familiar, mais a quantidade imensurável de exemplos, que empiricamente todos nós conhecemos ou vivenciamos, não têm mais valor algum?

    Que missão hercúlea tem a Ministra da Família, Damares Alves, a partir deste JAN 2019... continuar lendo